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domingo, 11 de março de 2012

Me acompanhe

Vem! Pode andar com meu passo, que te abro o espaço pra sentir o meu chão.
Vem! Meu caminho sei que faço, mas no meu embaraço deixo-o ser condução.

Sim, palavra digo ainda, pra curar a ferida que eu alimentei.
Sim, minha pele é a vida e se quer repartida, que se cure também.

Faço o teu curativo, deito e durmo contigo, mas não sou cicatrização.
Se te queres tão vivo, deixa a dor pelo abrigo do meu coração.


sexta-feira, 9 de março de 2012

Não iluda

Misericórdia ao coração guerreiro
Misericórdia a quem sabe amar
Não se afortune por não ver primeiro
Todo o valor de se entregar

Aos destroços do coração que pulsa
E ao alento do distanciar
Lamento a dor daquele que recusa
e a miséria do olho a secar

Pois o sol brilha após noite à penumbra
Mas não se enxerga ao se acortinar
Há de no futuro aquela imagem rubra
Tua memória voltar a marcar

Fica um acorde do sorriso ao vento
da solidão a que se semeou
E ao guerreiro coração sedento
Entrega a dor do tempo que passou

quinta-feira, 8 de março de 2012

Fuga

Te conheci o suficiente pra admirar mais do que deveria.
É hora de partir.
Espero que fique bem e que conte comigo sempre que preciso, mas sei que é hora de ir.
Fiquei por tempo demais, suficiente pra confundir minha mente e capturar imagens que não vou esquecer.
Espero que tenha alguém a sua altura, que te faça rir e chorar com zelo.
Não quero que tenha tempo de ver meus olhos, nem de sentir meu coração batendo.
Sei que há hoje o suficiente entre nós pra enxugar as lagrimas deixadas por outros, e não quero que deixemos novas lagrimas que possam encobrir o sorriso que já está gravado em mim.
Obrigada, por todo o carinho e tempo desprendidos e por todo sonho alimentado que não deixasse minha esperança de ser feliz morrer.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Vejo

Me vejo com um nariz vermelho, doida pra fazer alguém sorrir,
Com rosto e corpo disfarçados pra serem vistos.
Vejo a corda por onde busco passar e cair,
Sabendo que amortecerão minha queda, sorrisos.

Com lágrimas furtivas, caio às gargalhadas,
Rio de mim mesma e da esperança semeada,
Crianças correm com mãos recheadas
De flores e a inocência a ser doada.

Emoção, emoção.
A de ver transbordar um coração
Que não conhece o sim e o não.

Embriagues de dádivas
Singeleza da escassez
No rostinho de um talvez.