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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Tela em branco

Quem nunca olhou pra uma folha em branco e quis apenas fazer uma bolinha e jogá-la no lixo?
Posso lutar comigo mesma pra desenvolver mil textos, eles podem sair bons, ruins, coerentes, mas só quando eu me entrego e "perco" essa batalha emocional, é que finalmente consigo tocar o coração de alguém.

É engraçado repassar nossa vida através dos textos, ver quando nos entregamos a uma dor que nem era nossa e quando tivemos força e clareza pra enxergar o que era real.
É doce nos vermos com a mesmo carinho que gostaríamos de ser vistos, o mesmo zelo que nos permite aprender com os detalhes que deixamos passar e que fizeram com que tudo voltasse ao ponto de partida.
Revendo minhas dores e minhas revoltas abracei a criança que pedia ajuda dentro de mim, e me permiti não temer o retorno dessa imaturidade.
Que venha, a insegurança, o medo, até a birra e que eu possa rir delas e com elas, sem a angustia de não ser perfeita, e com a certeza de que passarão.
Aceitando o que há em mim a briga pára, o silêncio reina e eu consigo escutar com muito mais clareza o que eu sou.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Navegue

O "navião" esse, o da vida! 
Quando pensamos que o mar está sereno, ele dá uma de submarino e nos leva pras profundezas. Faz acreditarmos que vamos nos afogar, e quando nos damos conta vemos que há ar. 
Com um pouco mais de calma podemos ver os peixes e a belíssima paisagem ao nosso redor. É aí, pra variar, que tomamos um novo solavanco e vamos direto pro céu, voar, crentes de sentirmos uma leve brisa, de apreciarmos as nuvens e o mundo abaixo de nós, apenas um segundo depois sentimos a pressão da altitude e as turbulências que é capaz de causar.
Voltamos então pra navegação, e após tantos desenganos, nos tornamos capazes de olhar a realidade como ela é, sem expectativas ou vislumbres, apenas com a beleza de ver vida em meio a uma tempestade e de saber que seu mundo dorme ao som de um coração tranquilo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Reforma

As vezes criar alegria pode transformar todo o resto.

Abrir os olhos de um amor humilde, que se reparte e se funde em cada peça da caminhada, pode ser a resposta pra uma dor que urge, se alimentando de culpa e remorso por coexistir.
Abrir os olhos e ver o sorriso de alguém sacrificado, mas iluminado por fazer parte ou diferença é o real exemplo que devemos dar para ver algo fluir.

Dizem que Amor não vende, que o que vende é a angustia de amar, o pavor de perder, a dor de ter pedido, mas nunca o amor em si.
Dizem que, pra fazer graça, temos que usar de alguém ou de nós mesmos, com contextos e caricaturas.

Eu pergunto: 
Porque milhões de médicos abandonaram seu status, e resolveram ganhar o que muitos consideram uma miséria, pra trabalhar com um sorriso no rosto e ver a saúde começar no olhar do seu paciente? 
Porque outros tantos médicos ou não, se mobilizaram e abandonaram tudo pra dar alento e comida aos "miseráveis"?

O povo tem FOME! Fome de calor humano, de coragem pra sentir o medo, a dor ou o que for necessário pra se fazer a coisa certa e aí sim dar um sorriso honesto, vindo da alma.

Somos crianças com gana de vida, na vida que esgana nossos sonhos e a singeleza de, pura e simplesmente, amar.

Vamos acabar com a miséria, aquela estipulada por um contrato jamais assinado de viver conforme a forma.
Vamos vestir nossa mente de conhecimento e rir da miséria cultural, dando de comer pra cultura, sem medo de perder o posto de conhecedor.

"Espere retorno de uma bola de ping-pong, não de atos, mas retorne quantos gestos de amor puder. E enxergue no outro a real troca justa, que vale qualquer luta só pra fazer sorrir."

terça-feira, 3 de maio de 2011

Contentamento


Quando nos apaixonamos, olhamos para o outro com candura, admiração, paciência.
Quando passa algum tempo, nos vemos diante do espelho e nos vemos tão felizes, não pode ser verdade!
Passamos então a olhar com medo e , com ele, vem a exposição de defeitos, a intolerância, o real golpe de pessimismo.
Passam alguns dias tudo desmorona e vemos toda a alegria que desperdiçamos; eis que surge a esperança outra vez associada ao medo de termos jogado fora nossa felicidade. Recuperamos então, brevemente, nossa candura, paciência, admiração, todos os sentimentos puros anteriores, sendo que impregnados de medo do fracasso. Por fim vemos que fracassamos no primeiro momento em que não nos permitimos rir de nós mesmos, sorrir pra nós mesmos.
Somos eternas crianças em busca da esperança que continua guardada num quartinho dos nossos pensamentos. Crescemos pra vida e isso faz com que acreditemos que o correto é não acreditar em mais nada.

Contentamento, palavrinha danada essa!

Pra que, eu pergunto. Pra que, se contentar em ser normalmente severo consigo mesmo, se pode ser apaixonado por tudo em que acredita?


Trate a si mesmo com todo o amor que gostaria de dar a alguém. Tenha tanto zelo e carinho por si mesmo, que não precisará olhar pro lado pra ver que todos aos seu redor irão ser inspirados a se amarem também.


Quando nos amamos com verdade, sem super-proteção ou auto-piedade, emanamos amor ao próximo. Não há nada melhor do que doar de si o que não lhe fará falta.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Exposição




Algumas pessoas cismam em esconder os pequenos traços que mais os definem.
Quando alguém desenha uma foto precisa dos mais “insignificantes” traços para formar algo perfeito. Quando alguém define uma pessoa, usa de cada detalhe bom ou ruim pra individualizá-la. Então me digam, porque mentir sobre si mesmo, ou transformar suas características em algo mais comprável, se você já é único?
Aprimorar, crescer, isso é o caminho da vida e com esse caminho vem também os pequenos traços que ficam marcados no corpo e na alma. Quando olhamos pra alguém com os olhos da verdade, e não com os olhos de consumidor, vemos o que realmente há de especial.


Porque teimar em olhar para os lados procurando algo melhor que si mesmo, ou melhor do que quem o acompanha?
Enquanto você olha para o lado oposto, o seu melhor pode estar partindo, ou se partindo. E aí, vai correr pra buscar depois que a maré levou ou vai tentar colar o que sobrou? O que vai ficar da colagem, não serão também novas marcas? Porque, dessa vez, você vai apreciá-las?

Não foque no que lhe dizem, pois o foco deve estar naquilo que você observa.
Não minta pra si mesmo, já existem muitos pra fazê-lo.
Não extirpe suas marcas mais singelas, pois só o que restarão serão buracos e vazio.

Não há nada mais belo do que ver os pequenos vincos que se formam no final dos olhos de quem dá um grande sorriso. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Espero

Espero ainda decifrar-me
e não mais ter de falar aos ventos.
Espero eu afagar-me
e não mais aguardar por bons tempos.
Não sou um texto linear ou agradável de se ler,
tenho linhas e entre linhas à escrever.
Mas há de haver quem adimire minhas frases futeis, ou meus erros.
Há ainda, quem as use pra bons fins, meus apelos.
Vê-se bem que quando a vida é vaga, alguém estaciona nela.
Toma posse dos atos e das interações.
E se perderes tempo em explicá-la,
Há de outra vez não viver, esperar interpretações.
Há muitas desvantagens em se expor.
Seriam elas vantagens se não o fizesse?
Há desvantagens em se impor.
Talves melhor se aguardasse o que viesse?
Não se impõe uma verdade, se revela.
Não se pede piedade, toma-se dela.
Porque ser um passivo contundente.
Haveria eu de ser um pobre eloquente?
E por que questão, escrever com toda a razão
discernir a emoção, pra tudo sim e não?
Nada em doses extras de palavras tensas,
nada mais em medidas e controles.
A qualidade deve estar na vida,
o equilibrio se mostra nela.
 Fico e aguardo o clarão da falta de idéias,
O sublime fato de estar em qualquer lugar
esperando estar fora de minhas teias,
Sentir apenas a brisa, o ar.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não quero nada por obrigação!

Não quero nada por obrigação!
Ser obrigada a sentir ou a não ter sentido algum,
Obrigada a sorrir ou a esconder a falta de dentes,
A esconder medos ou a não entendê-los,
A seguir mesmo querendo não fazê-lo,

Não quero a ignorância!
Fingir não ver é melhor que ser de fato cego?

“Ignoro meus sentidos, assim, não me sinto culpado por ignorar os seus.
Fecho meus olhos por temer ter vontade de arrancá-los, não quero ver o que fiz ou o que foi feito de mim. Posso simplesmente culpar, sem responsabilidades ou riscos.”
Não, não, não quero covardia!

Se sei quem realmente posso ser, luto pra ser.
Se não sei, luto pra descobrir.
Se nem sequer sei o que tudo isso significa, então peço, oro, e por que não, imploro, pra que alguém saiba por mim.

Não quero uma vida sem verbo ou sem adjetivo, sem gênero ou generosidade.
Só o que peço é uma vida, simples, mas real e que seja escrita por mim, ainda que aperfeiçoada por todos.

O que me diz?